Projeto para a América Latina
Mais do que laços econômicos estreitos, Lula quer trabalhar com líderes regionais para conseguir criar uma identidade comum aos povos do continente
Claudio Dantas Sequeira
TABULEIRO
Lula quer transformar a
região em um polo de poder
Em um planeta cada vez mais multipolar, a formação de blocos regionais tornou-se um arranjo natural para países que buscam um lugar de destaque no tabuleiro geopolítico. Mas obter o consenso entre nações com características, povos e interesses diferentes não é fácil. Há
25 anos, o Brasil lidera o processo de integração regional. Começou com o Mercosul, avançou para a União de Nações Sul-Americanas e ensaia sua expansão para toda a América Latina. Durante seus dois mandatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva priorizou a consolidação desses processos, e agora, fora do governo, deverá ajudar Dilma Rousseff a avançar de maneira sólida para transformar a região num polo de poder mundial. O recado foi dado na sexta-feira 17, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, última participação internacional de Lula como presidente. “Eu certamente em outro momento estarei reunido com vocês”, disse o brasileiro.
“Provocaremos uma revolução na mentalidade e percepção dos cidadãos.”
BASE
Lula vai usar a fundação que criará
para sugerir ideias aos países do bloco
Unificação de culturas
Lula seguirá lutando pela integração latino-americana através da fundação que planeja criar, após deixar o Palácio do Planalto. “O presidente quer ajudar na integração da América Latina e na cooperação com a África”, diz o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho. Lula tem dito a interlocutores que sua concepção de um bloco regional passa pela construção de uma identidade do Mercosul, “de baixo para cima”. Isso se dará não só a partir da boa relação com os demais chefes de Estado latino-americanos, mas principalmente por meio de medidas sociais, que afetem o dia a dia da população. Ou seja, não basta seguir o protocolo diplomático ou dar lastro institucional ao bloco. É preciso interferir na vida do povo e fazer com que ele se sinta sul-americano, latino-americano. “Desde o início do governo o Lula bateu na tecla da autoestima dos brasileiros, que andava baixa. Agora, ele defenderá a identidade comum que une nossos povos, a ideia de que todos somos irmãos”, explica um assessor. Espera-se assim que vizinhos argentinos, paraguaios e uruguaios não se sintam menores que os brasileiros, ou nos vejam como rivais, mas no mesmo nível.
DIFERENÇAS
Lula é bem-aceito por esquerdistas,
como Fidel, e por líderes mais à direita
É a partir desse pensamento que continuarão a surgir medidas como a de criar uma placa única para os veículos dos países-membros, aprovada em Foz do Iguaçu. A expectativa é de que em dez anos todos os carros do Mercosul tenham a mesma placa e possam transitar livremente pelas fronteiras, como já ocorre com os cidadãos comuns. “Em um primeiro momento será elaborada uma lista de todos os veículos cadastrados em cada país para depois criar uma lista comum. No final de todo o processo, todos usarão a mesma placa”, afirma o chanceler Celso Amorim. Além de permitir a livre circulação dos automóveis por todo o Mercosul, a medida permitirá um maior controle dos veículos que cruzam as fronteiras e reduzirá a incidência de roubos.
Essas iniciativas compreendem o que o governo Lula passou a de chamar Mercosul Social, um bloco mais político e menos econômico. Atendeu a esses interesses a criação do Parlamento do Mercosul, para o qual o Brasil deve eleger representantes em 2012,
e o chamado Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), cujas contribuições são utilizadas na recuperação de estradas
e construção de linhas de transmissão nos sócios menores do bloco.
E contra as críticas de que ações como essas não passam de maquiagem, considerando os problemas tarifários e comerciais que abalam o Mercosul, Lula entregou a Dilma um cronograma de ações para a implantação da união aduaneira – cujo esboço já foi chancelado pelos ministros das Relações Exteriores do bloco. “Queremos que a América Latina seja um polo de poder nesse mundo multipolar”, explica o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Ele foi incumbido da tarefa de preparar um plano de longo prazo para a consolidação e convergência do Mercosul com a Unasul (União Sul-Americana de Nações) e a Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos).
O ingresso da Venezuela no Mercosul, uma iniciativa do próprio Lula, é parte desse processo de convergência. “É importante que um país como a Venezuela faça parte do bloco para reduzir as assimetrias. É um país em desenvolvimento e também um mercado consumidor importante para Brasil e Argentina”, explica o ex-presidente do Conselho de Representantes Permanentes do Mercosul, Chacho Alvarez, que foi vice-presidente no governo de Fernando de la Rúa.
APOIO
Cristina Kirchner, da Argentina, está
disposta a ajudar Lula em seu projeto de união regional
Mais política e menos economia
Nas últimas cúpulas desses blocos, aliás, os líderes políticos dos países vizinhos demonstraram boa vontade de apoiar a liderança brasileira, algo que não acontecia no passado. “Pela primeira vez temos um país que decidiu sair à arena internacional e esse é um dos grandes méritos e um de nossos desafios. O Brasil tem que ser consciente de sua responsabilidade e nós temos que apoiá-lo”, disse o presidente uruguaio, José Pepe Mujica. Segundo ele, Lula, mesmo fora da Presidência, ainda terá “muitas cartas a jogar”, tanto na integração latino-americana como na projeção internacional do bloco. “Sua experiência na inclusão social de milhões de brasileiros deve ser usada em toda a região.” O uruguaio está pensando no potencial consumidor dos 600 milhões de latino-americanos. Uma imensa população que desfruta de uma situação particular no planeta. A América Latina é um continente pacífico, tem uma das maiores reservas energéticas do mundo, um imenso potencial de produção de alimentos e uma biodiversidade extraordinária. Como bem disse a presidente argentina, Cristina Kirchner, é preciso ter inteligência para tirar partido dessas virtudes. “Não podemos cair na armadilha que nos imobiliza há 200 anos e inverter a lógica da divisão. É ‘unir para reinar’ e não mais o contrário.” E ninguém melhor que Lula para negociar
o consenso tão necessário.
Saturday, January 1, 2011
BRASIL - QUINTA POTENCIA PARA 10 ANOS
Em dez anos o Brasil pode ser
a quinta maior economia do mundo
Economistas são pródigos em discordar de seus pares. Opiniões unânimes a respeito de previsões sobre como se comportará a economia no futuro são tão raras entre eles quanto discussões civilizadas sobre futebol. Nem mesmo quando o mundo estava prestes a cair no abismo da crise financeira de 2008 havia consenso sobre os riscos reais da inchada bolha imobiliária americana que viria a derrubar instituições aparentemente sólidas como o Banco Lehman Brothers. Desde o ano passado, no entanto, o Brasil está conseguindo o raro feito de extrair opiniões quase unânimes mundo afora. São poucos, pouquíssimos, os economistas que ousam discordar de que o País entrou em um ciclo de desenvolvimento sustentado. E mais: são ainda mais raros aqueles que duvidam da capacidade de o Brasil se tornar uma das maiores potências econômicas do planeta em um par de dezena de anos. “Estamos condenados a crescer e vamos ultrapassar rapidamente grandes potências. Hoje o Brasil ganha terreno, enquanto outros perdem”, diz o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas.
A opinião de Freitas parece ufanista. Mas não é. Excetuando alguns poucos momentos da história brasileira, nunca o País esteve tão preparado para dar um salto de desenvolvimento como agora. Estável, vivendo um ambiente de tranquilidade institucional, com ascensão social e econômica das parcelas mais pobres de sua população e sem pressões inflacionárias ou de liquidez, o Brasil caminha para se transformar em uma das cinco maiores economias do mundo nos próximos dez anos. “Nós já entramos na classe média mundial. Nosso PIB per capita atingiu os US$ 10 mil e acredito que possamos chegar aos US$ 20 mil em 2030”, diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores. “Isso mostra que estamos crescendo de forma constante e, o melhor, com distribuição de riqueza.”
Demanda interna aquecida
Com a demanda interna extremamente aquecida, o Brasil pode se dar ao luxo de não precisar entrar em uma espiral de desespero com a crise que assola países desenvolvidos, como a que ameaça a União Europeia. “O bônus demográfico está a nosso favor, o pico de pessoas entrando no mercado de trabalho, produzindo, consumindo e tomando crédito só ocorrerá em 2020”, diz Cristiano Souza, economista sênior do Santander. Ou seja, como aconteceu em 2008 e 2009, a economia brasileira tem fôlego para continuar se expandindo, mesmo que haja uma recessão mundial. É claro que isso não se sustenta eternamente, como mostra a China, dona da maior população do planeta, mas que baseou seu espantoso crescimento no mercado externo.
O consenso em torno do Brasil não se restringe apenas à sua capacidade de se tornar uma potência econômica. Se estende também aos numerosos e complexos desafios que o País precisa enfrentar com urgência para conseguir fazer com que seu potencial de crescimento se torne realidade. E eles são muitos e diversos. Vão desde uma complicada estrutura tributária, passando por uma decadente e onerosa infraestrutura e um baixíssimo nível de investimento até chegar a um dos pontos mais complicados de ser resolvido: o ineficiente sistema educacional brasileiro. “Nunca vamos chegar lá se não resolvermos o problema da educação, esse é o ponto básico”, diz o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.
a quinta maior economia do mundo
Economistas são pródigos em discordar de seus pares. Opiniões unânimes a respeito de previsões sobre como se comportará a economia no futuro são tão raras entre eles quanto discussões civilizadas sobre futebol. Nem mesmo quando o mundo estava prestes a cair no abismo da crise financeira de 2008 havia consenso sobre os riscos reais da inchada bolha imobiliária americana que viria a derrubar instituições aparentemente sólidas como o Banco Lehman Brothers. Desde o ano passado, no entanto, o Brasil está conseguindo o raro feito de extrair opiniões quase unânimes mundo afora. São poucos, pouquíssimos, os economistas que ousam discordar de que o País entrou em um ciclo de desenvolvimento sustentado. E mais: são ainda mais raros aqueles que duvidam da capacidade de o Brasil se tornar uma das maiores potências econômicas do planeta em um par de dezena de anos. “Estamos condenados a crescer e vamos ultrapassar rapidamente grandes potências. Hoje o Brasil ganha terreno, enquanto outros perdem”, diz o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas.
A opinião de Freitas parece ufanista. Mas não é. Excetuando alguns poucos momentos da história brasileira, nunca o País esteve tão preparado para dar um salto de desenvolvimento como agora. Estável, vivendo um ambiente de tranquilidade institucional, com ascensão social e econômica das parcelas mais pobres de sua população e sem pressões inflacionárias ou de liquidez, o Brasil caminha para se transformar em uma das cinco maiores economias do mundo nos próximos dez anos. “Nós já entramos na classe média mundial. Nosso PIB per capita atingiu os US$ 10 mil e acredito que possamos chegar aos US$ 20 mil em 2030”, diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores. “Isso mostra que estamos crescendo de forma constante e, o melhor, com distribuição de riqueza.”
Demanda interna aquecida
Com a demanda interna extremamente aquecida, o Brasil pode se dar ao luxo de não precisar entrar em uma espiral de desespero com a crise que assola países desenvolvidos, como a que ameaça a União Europeia. “O bônus demográfico está a nosso favor, o pico de pessoas entrando no mercado de trabalho, produzindo, consumindo e tomando crédito só ocorrerá em 2020”, diz Cristiano Souza, economista sênior do Santander. Ou seja, como aconteceu em 2008 e 2009, a economia brasileira tem fôlego para continuar se expandindo, mesmo que haja uma recessão mundial. É claro que isso não se sustenta eternamente, como mostra a China, dona da maior população do planeta, mas que baseou seu espantoso crescimento no mercado externo.
O consenso em torno do Brasil não se restringe apenas à sua capacidade de se tornar uma potência econômica. Se estende também aos numerosos e complexos desafios que o País precisa enfrentar com urgência para conseguir fazer com que seu potencial de crescimento se torne realidade. E eles são muitos e diversos. Vão desde uma complicada estrutura tributária, passando por uma decadente e onerosa infraestrutura e um baixíssimo nível de investimento até chegar a um dos pontos mais complicados de ser resolvido: o ineficiente sistema educacional brasileiro. “Nunca vamos chegar lá se não resolvermos o problema da educação, esse é o ponto básico”, diz o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.
Sunday, December 26, 2010
ECONOMIA PARA 2011
Economia não é ciência exata
São Paulo - Os economistas frequentemente recebem críticas por erros em suas previsões. Embora muitos utilizem modelos matemáticos e econométricos para tentar antecipar o futuro, não há como garantir 100% de acerto.
Em 2011, a grande incógnita é a Europa. No mercado, poucos têm uma visão tão pessimista como a de Ricardo Amorim, que vislumbra sérios problemas na Espanha. A maioria embutiu em suas projeções "apenas" um crescimento lento dos países ricos. Outra ponto-chave é a China. Uma pequena desaceleração já foi incorporada às análises, mas não uma pisada forte no freio.
O Brasil, nesse contexto, deve ter um ano positivo. Dentre as projeções coletadas por EXAME.com, a menor é de um crescimento de 4,3% do PIB. Câmbio comportado, inflação pressionada (mas não superior ao teto da meta) e juros em alta são outras previsões predominantes. Já o desempenho da balança comercial dependerá fundamentalmente do preço das commodities (novamente entram aqui incertezas internacionais).
Os economistas renomados ouvidos nessa reportagem têm currículo invejável, farta experiência em cargos públicos e privados e, em muitos casos, uma numerosa e competente equipe de analistas que olham com lupa todos os indicadores. Isso tudo não é garantia de perfeição. A figura da bola de cristal, evidentemente, é uma brincadeira, mas é importante reconhecer que a Economia não é uma ciência exata.
São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá crescer 4,5% em 2011, de acordo com pesquisa divulgada hoje (21) pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Em 2012, o resultado deverá se repetir, com crescimento também de 4,5%. Em 2010, a projeção da entidade é que a elevação no crescimento econômico termine em 7,5%.
Para o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, colaboraram para uma previsão mais modesta do PIB em 2011 e 2012 as medidas de restrição ao crédito, adotadas recentemente pelo Banco Central, a expectativa de uma política fiscal mais austera e de elevação dos juros no próximo ano.
“A gente tem uma base de comparação mais alta que é o próprio ano de 2010, em que a economia está fechando com crescimento de quase 8%. Se a gente juntar tudo isso, devemos ter um desempenho mais baixo em 2011, mas ainda muito positivo, muito favorável à economia”, afirmou Sardenberg.
Segundo as estimativas da Febraban, as operações de crédito que cresceram 20,3% em 2010 deverão aumentar menos – em razão das medidas de restrição do governo – nos próximos anos: 17,8% em 2011, e 17,2% em 2012.
A inflação deverá chegar a 5,2% em 2011 e a 4,5% em 2012. Já o ano de 2010 deverá terminar com aumento de preços de 5,2%. A taxa básica de juros, a Selic, deverá ficar em 12,25% em 2011 e 11% em 2012, segundo a entidade. A atual taxa é de 10,25%.
As projeções dos bancos mostram que a taxa de câmbio, que hoje está em torno de R$ 1,70, deverá ir a R$ 1,75 em 2011, e a R$ 1,80 em 2012. Já as reservas internacionais do país, hoje de aproximadamente US$ 286,2 bilhões, deverão chegar a US$ 299,1 bilhões em 2011 e a US$ 318,4 bilhões em 2012. O risco-país, que hoje está em torno de 198 pontos, deverá cair para 182,1 em 2011 e a 164,9 em 2012.
A Pesquisa de Projeções Macroeconômicas da Febraban foi feita entre os dias 16 a 20 de dezembro. Foram ouvidas 28 instituições financeiras.
São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá crescer 4,5% em 2011, de acordo com pesquisa divulgada hoje (21) pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Em 2012, o resultado deverá se repetir, com crescimento também de 4,5%. Em 2010, a projeção da entidade é que a elevação no crescimento econômico termine em 7,5%.
Para o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, colaboraram para uma previsão mais modesta do PIB em 2011 e 2012 as medidas de restrição ao crédito, adotadas recentemente pelo Banco Central, a expectativa de uma política fiscal mais austera e de elevação dos juros no próximo ano.
“A gente tem uma base de comparação mais alta que é o próprio ano de 2010, em que a economia está fechando com crescimento de quase 8%. Se a gente juntar tudo isso, devemos ter um desempenho mais baixo em 2011, mas ainda muito positivo, muito favorável à economia”, afirmou Sardenberg.
Segundo as estimativas da Febraban, as operações de crédito que cresceram 20,3% em 2010 deverão aumentar menos – em razão das medidas de restrição do governo – nos próximos anos: 17,8% em 2011, e 17,2% em 2012.
A inflação deverá chegar a 5,2% em 2011 e a 4,5% em 2012. Já o ano de 2010 deverá terminar com aumento de preços de 5,2%. A taxa básica de juros, a Selic, deverá ficar em 12,25% em 2011 e 11% em 2012, segundo a entidade. A atual taxa é de 10,25%.
As projeções dos bancos mostram que a taxa de câmbio, que hoje está em torno de R$ 1,70, deverá ir a R$ 1,75 em 2011, e a R$ 1,80 em 2012. Já as reservas internacionais do país, hoje de aproximadamente US$ 286,2 bilhões, deverão chegar a US$ 299,1 bilhões em 2011 e a US$ 318,4 bilhões em 2012. O risco-país, que hoje está em torno de 198 pontos, deverá cair para 182,1 em 2011 e a 164,9 em 2012.
A Pesquisa de Projeções Macroeconômicas da Febraban foi feita entre os dias 16 a 20 de dezembro. Foram ouvidas 28 instituições financeiras.
São Paulo - Os economistas frequentemente recebem críticas por erros em suas previsões. Embora muitos utilizem modelos matemáticos e econométricos para tentar antecipar o futuro, não há como garantir 100% de acerto.
Em 2011, a grande incógnita é a Europa. No mercado, poucos têm uma visão tão pessimista como a de Ricardo Amorim, que vislumbra sérios problemas na Espanha. A maioria embutiu em suas projeções "apenas" um crescimento lento dos países ricos. Outra ponto-chave é a China. Uma pequena desaceleração já foi incorporada às análises, mas não uma pisada forte no freio.
O Brasil, nesse contexto, deve ter um ano positivo. Dentre as projeções coletadas por EXAME.com, a menor é de um crescimento de 4,3% do PIB. Câmbio comportado, inflação pressionada (mas não superior ao teto da meta) e juros em alta são outras previsões predominantes. Já o desempenho da balança comercial dependerá fundamentalmente do preço das commodities (novamente entram aqui incertezas internacionais).
Os economistas renomados ouvidos nessa reportagem têm currículo invejável, farta experiência em cargos públicos e privados e, em muitos casos, uma numerosa e competente equipe de analistas que olham com lupa todos os indicadores. Isso tudo não é garantia de perfeição. A figura da bola de cristal, evidentemente, é uma brincadeira, mas é importante reconhecer que a Economia não é uma ciência exata.
São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá crescer 4,5% em 2011, de acordo com pesquisa divulgada hoje (21) pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Em 2012, o resultado deverá se repetir, com crescimento também de 4,5%. Em 2010, a projeção da entidade é que a elevação no crescimento econômico termine em 7,5%.
Para o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, colaboraram para uma previsão mais modesta do PIB em 2011 e 2012 as medidas de restrição ao crédito, adotadas recentemente pelo Banco Central, a expectativa de uma política fiscal mais austera e de elevação dos juros no próximo ano.
“A gente tem uma base de comparação mais alta que é o próprio ano de 2010, em que a economia está fechando com crescimento de quase 8%. Se a gente juntar tudo isso, devemos ter um desempenho mais baixo em 2011, mas ainda muito positivo, muito favorável à economia”, afirmou Sardenberg.
Segundo as estimativas da Febraban, as operações de crédito que cresceram 20,3% em 2010 deverão aumentar menos – em razão das medidas de restrição do governo – nos próximos anos: 17,8% em 2011, e 17,2% em 2012.
A inflação deverá chegar a 5,2% em 2011 e a 4,5% em 2012. Já o ano de 2010 deverá terminar com aumento de preços de 5,2%. A taxa básica de juros, a Selic, deverá ficar em 12,25% em 2011 e 11% em 2012, segundo a entidade. A atual taxa é de 10,25%.
As projeções dos bancos mostram que a taxa de câmbio, que hoje está em torno de R$ 1,70, deverá ir a R$ 1,75 em 2011, e a R$ 1,80 em 2012. Já as reservas internacionais do país, hoje de aproximadamente US$ 286,2 bilhões, deverão chegar a US$ 299,1 bilhões em 2011 e a US$ 318,4 bilhões em 2012. O risco-país, que hoje está em torno de 198 pontos, deverá cair para 182,1 em 2011 e a 164,9 em 2012.
A Pesquisa de Projeções Macroeconômicas da Febraban foi feita entre os dias 16 a 20 de dezembro. Foram ouvidas 28 instituições financeiras.
São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá crescer 4,5% em 2011, de acordo com pesquisa divulgada hoje (21) pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Em 2012, o resultado deverá se repetir, com crescimento também de 4,5%. Em 2010, a projeção da entidade é que a elevação no crescimento econômico termine em 7,5%.
Para o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, colaboraram para uma previsão mais modesta do PIB em 2011 e 2012 as medidas de restrição ao crédito, adotadas recentemente pelo Banco Central, a expectativa de uma política fiscal mais austera e de elevação dos juros no próximo ano.
“A gente tem uma base de comparação mais alta que é o próprio ano de 2010, em que a economia está fechando com crescimento de quase 8%. Se a gente juntar tudo isso, devemos ter um desempenho mais baixo em 2011, mas ainda muito positivo, muito favorável à economia”, afirmou Sardenberg.
Segundo as estimativas da Febraban, as operações de crédito que cresceram 20,3% em 2010 deverão aumentar menos – em razão das medidas de restrição do governo – nos próximos anos: 17,8% em 2011, e 17,2% em 2012.
A inflação deverá chegar a 5,2% em 2011 e a 4,5% em 2012. Já o ano de 2010 deverá terminar com aumento de preços de 5,2%. A taxa básica de juros, a Selic, deverá ficar em 12,25% em 2011 e 11% em 2012, segundo a entidade. A atual taxa é de 10,25%.
As projeções dos bancos mostram que a taxa de câmbio, que hoje está em torno de R$ 1,70, deverá ir a R$ 1,75 em 2011, e a R$ 1,80 em 2012. Já as reservas internacionais do país, hoje de aproximadamente US$ 286,2 bilhões, deverão chegar a US$ 299,1 bilhões em 2011 e a US$ 318,4 bilhões em 2012. O risco-país, que hoje está em torno de 198 pontos, deverá cair para 182,1 em 2011 e a 164,9 em 2012.
A Pesquisa de Projeções Macroeconômicas da Febraban foi feita entre os dias 16 a 20 de dezembro. Foram ouvidas 28 instituições financeiras.
Sunday, May 16, 2010
VISION DE SERRA A RESPECTO DEL MERCOSURA farsa
A farsa. 26 de abril de 2010 19h35
Celso Ming
Difícil discordar do ex-governador José Serra. O Mercosul é uma farsa e, tal como está, é um peso morto para o Brasil.Há anos que Serra tem manifestado esse ponto de vista. Mas só agora, na condição de candidato da oposição à Presidência com boas possibilidades de vitória nas próximas eleições, sua opinião começa a ser levada em conta.
SERRA - Flexibilizar o Mercosul (Foto: Sergio Neves / AE – 23/3/2010)
O Mercosul nasceu como área de livre comércio, o primeiro estágio de uma integração econômica. Uma área de livre comércio é aquela em que não há barreiras alfandegárias para o fluxo de mercadorias. Elas transitam de um sócio do bloco para o outro, como um carregamento de geladeiras cruza as fronteiras entre São Paulo e Minas.
Mas, em 1995, quatro anos depois de ter nascido, foi alçado à condição de união aduaneira. Esse é o estágio seguinte, em que não só há livre circulação de mercadorias, mas há união comercial, o que exige adoção da mesma política comercial entre os membros. Isso significa que as tarifas alfandegárias cobradas na entrada de produtos dos países de fora do bloco têm de ser as mesmas. Consequência inevitável desse princípio é o de que os tratados comerciais são negociados em conjunto.
O problema é que o Mercosul não consegue nem mesmo ser uma área de livre comércio. Não só há tarifas alfandegárias entre os membros, como a todo momento o comércio entre Brasil e Argentina, por imposição da Argentina e, às vezes, do Brasil, está sujeito a travas, proibições e limitações.
O principal argumento argentino é de que “não há simetria” de condições econômicas entre os dois países e que, por isso, o produto argentino precisa ser protegido da competição aniquiladora da mercadoria brasileira.
Não compensa sequer questionar a qualidade da argumentação argentina. Se não há condições nem para se ter uma área de livre comércio, menos ainda haverá para que o Mercosul seja uma união aduaneira.
E, no entanto, o Brasil não pode ampliar seu mercado para exportações porque, na condição de integrante de uma união aduaneira formal, não pode negociar isoladamente com outros países. Tem de arrastar consigo Argentina, Uruguai e Paraguai.
Tratados comerciais exigem aberturas recíprocas de mercado. Se a Argentina não aceita nem sequer a abertura do seu mercado para o produto brasileiro, muito menos a aceitará para países ainda mais competitivos. Enquanto o resto do mundo negocia bilateralmente, o Brasil fica estrangulado em sua política comercial porque a Argentina veta toda iniciativa de negociação comercial.
Admitida a farsa ou, se não isso, admitida a impotência do Mercosul, é preciso saber o que fazer com ele. Serra não entra em pormenores. Afirma apenas que é preciso flexibilizar os tratados, de maneira a permitir que o Brasil e os demais países que assim o desejarem possam fazer o que tem de ser feito.
Flexibilizar o Mercosul é um eufemismo para não ter de empregar a expressão mais crua. O Mercosul não precisa ser flexibilizado, precisa ser rebaixado. E não basta rebaixá-lo à condição de área de livre comércio. É preciso garantir que a área de livre comércio funcione.
Afora isso, não há futuro numa integração econômica entre países se não houver, ao mesmo tempo, convergência entre as políticas fiscal, monetária e cambial. Sem essa convergência, as tais assimetrias continuarão aumentando e, com elas, também a farsa.
Celso Ming
Difícil discordar do ex-governador José Serra. O Mercosul é uma farsa e, tal como está, é um peso morto para o Brasil.Há anos que Serra tem manifestado esse ponto de vista. Mas só agora, na condição de candidato da oposição à Presidência com boas possibilidades de vitória nas próximas eleições, sua opinião começa a ser levada em conta.
SERRA - Flexibilizar o Mercosul (Foto: Sergio Neves / AE – 23/3/2010)
O Mercosul nasceu como área de livre comércio, o primeiro estágio de uma integração econômica. Uma área de livre comércio é aquela em que não há barreiras alfandegárias para o fluxo de mercadorias. Elas transitam de um sócio do bloco para o outro, como um carregamento de geladeiras cruza as fronteiras entre São Paulo e Minas.
Mas, em 1995, quatro anos depois de ter nascido, foi alçado à condição de união aduaneira. Esse é o estágio seguinte, em que não só há livre circulação de mercadorias, mas há união comercial, o que exige adoção da mesma política comercial entre os membros. Isso significa que as tarifas alfandegárias cobradas na entrada de produtos dos países de fora do bloco têm de ser as mesmas. Consequência inevitável desse princípio é o de que os tratados comerciais são negociados em conjunto.
O problema é que o Mercosul não consegue nem mesmo ser uma área de livre comércio. Não só há tarifas alfandegárias entre os membros, como a todo momento o comércio entre Brasil e Argentina, por imposição da Argentina e, às vezes, do Brasil, está sujeito a travas, proibições e limitações.
O principal argumento argentino é de que “não há simetria” de condições econômicas entre os dois países e que, por isso, o produto argentino precisa ser protegido da competição aniquiladora da mercadoria brasileira.
Não compensa sequer questionar a qualidade da argumentação argentina. Se não há condições nem para se ter uma área de livre comércio, menos ainda haverá para que o Mercosul seja uma união aduaneira.
E, no entanto, o Brasil não pode ampliar seu mercado para exportações porque, na condição de integrante de uma união aduaneira formal, não pode negociar isoladamente com outros países. Tem de arrastar consigo Argentina, Uruguai e Paraguai.
Tratados comerciais exigem aberturas recíprocas de mercado. Se a Argentina não aceita nem sequer a abertura do seu mercado para o produto brasileiro, muito menos a aceitará para países ainda mais competitivos. Enquanto o resto do mundo negocia bilateralmente, o Brasil fica estrangulado em sua política comercial porque a Argentina veta toda iniciativa de negociação comercial.
Admitida a farsa ou, se não isso, admitida a impotência do Mercosul, é preciso saber o que fazer com ele. Serra não entra em pormenores. Afirma apenas que é preciso flexibilizar os tratados, de maneira a permitir que o Brasil e os demais países que assim o desejarem possam fazer o que tem de ser feito.
Flexibilizar o Mercosul é um eufemismo para não ter de empregar a expressão mais crua. O Mercosul não precisa ser flexibilizado, precisa ser rebaixado. E não basta rebaixá-lo à condição de área de livre comércio. É preciso garantir que a área de livre comércio funcione.
Afora isso, não há futuro numa integração econômica entre países se não houver, ao mesmo tempo, convergência entre as políticas fiscal, monetária e cambial. Sem essa convergência, as tais assimetrias continuarão aumentando e, com elas, também a farsa.
PAO DE ACUCAR TROCA AS MARCAS SENDAS, COMPRE BEM E ABC SERAO SUBSTITUIDAS POR EXTRA SUPERMERCADOS
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) está reorganizando as suas bandeiras. As marcas Sendas, CompreBem e ABC CompreBem devem ser descontinuadas até o fim de 2011, sendo substituídas na maior parte pela bandeira Extra Supermercados, criada no ano passado. Até o fim deste ano, 60 das 100 novas lojas serão abertas sob a bandeira Extra Fácil, voltada ao varejo de bairro. De acordo com o Pão de Açúcar, a marca Extra é a que possui o maior índice de lembrança entre os nomes do grupo. Mas o principal objetivo com a mudança, segundo o presidente do Pão de Açúcar, Enéas Pestana, é acelerar sinergias.
"A conversão de formatos visa atender o consumidor com um portfólio mais abrangente e, ao mesmo tempo, concentrar esforços sob o nome Extra", diz Pestana que, junto com o presidente do conselho do GPA, Abilio Diniz, participou ontem em São Paulo do GPA Day - um encontro da alta diretoria com investidores e analistas. "Tanto o formato do Assaí, de "atacarejo", quanto o do Extra Fácil, exigem baixo investimento e oferecem alto retorno", diz. A racionalização das bandeiras ocorre em especial no varejo de alimentos, mas pode englobar também o Extra Eletro, absorvido pela Globex.
"Estamos iniciando agora a conversão da bandeira CompreBem para Extra Supermercado em 16 lojas e, até o fim do ano, devemos promover a mudança em outras 50 lojas, em São Paulo e no Rio", disse o vice-presidente comercial e de operações, José Roberto Tambasco. O processo será encerrado em 2011. Dependendo da localização e do sortimento, algumas dessas lojas podem se tornar Pão de Açúcar ou hipermercado Extra. Durante a conversão, diz o executivo, cada ponto de venda deve ficar fechado em média por 10 dias.
"Hoje ainda temos quatro marcas em supermercado: Pão de Açúcar, voltado às classes A e B, enquanto Sendas, CompreBem e ABC CompreBem atendem mais as classes C e D", explica. "Agora, as três bandeiras que atendem principalmente as classes de menor renda vão estar sob a marca Extra", diz. Segundo ele, mais do que uma mudança de marca, a conversão busca proporcionar uma evolução no formato oferecido por Sendas e CompreBem. "Eram modelos que precisavam de atualização, porque o consumidor que atendem mudou, ampliou seu poder aquisitivo e aumentou tanto o nível quanto o mix de consumo".
Com o Extra, diz Tambasco, o GPA volta a se focar no crescimento de supermercados fora do eixo Rio-São Paulo. "Extra Supermercado é uma loja de bairro, que traz força do sortimento, a agressividade de preços e promoção da marca Extra", afirma.
O novo formato dá maior espaço para a área de perecíveis, diminuindo a seção de mercearia, muito forte em CompreBem e Sendas. Outras seções fazem parte do novo formato, como peixaria e uma área para lanches e pequenas refeições, abrindo assim a oferta de serviços em supermercado. A conversão já foi realizada em nove lojas de São Paulo, Fortaleza e Recife. "Nesses pontos, o faturamento cresceu mais de 50% depois da mudança".
Segundo o executivo, dois fatores redirecionaram as mudanças: a falta de tempo do consumidor, o que exige mais lojas próximas, e a sua disposição em comprar cada vez mais em diferentes canais. Nesse sentido, também ganha espaço a bandeira Assaí, de "atacarejo", e o Extra compacto, que traz o mix do hipermercado em área menor.
.
"A conversão de formatos visa atender o consumidor com um portfólio mais abrangente e, ao mesmo tempo, concentrar esforços sob o nome Extra", diz Pestana que, junto com o presidente do conselho do GPA, Abilio Diniz, participou ontem em São Paulo do GPA Day - um encontro da alta diretoria com investidores e analistas. "Tanto o formato do Assaí, de "atacarejo", quanto o do Extra Fácil, exigem baixo investimento e oferecem alto retorno", diz. A racionalização das bandeiras ocorre em especial no varejo de alimentos, mas pode englobar também o Extra Eletro, absorvido pela Globex.
"Estamos iniciando agora a conversão da bandeira CompreBem para Extra Supermercado em 16 lojas e, até o fim do ano, devemos promover a mudança em outras 50 lojas, em São Paulo e no Rio", disse o vice-presidente comercial e de operações, José Roberto Tambasco. O processo será encerrado em 2011. Dependendo da localização e do sortimento, algumas dessas lojas podem se tornar Pão de Açúcar ou hipermercado Extra. Durante a conversão, diz o executivo, cada ponto de venda deve ficar fechado em média por 10 dias.
"Hoje ainda temos quatro marcas em supermercado: Pão de Açúcar, voltado às classes A e B, enquanto Sendas, CompreBem e ABC CompreBem atendem mais as classes C e D", explica. "Agora, as três bandeiras que atendem principalmente as classes de menor renda vão estar sob a marca Extra", diz. Segundo ele, mais do que uma mudança de marca, a conversão busca proporcionar uma evolução no formato oferecido por Sendas e CompreBem. "Eram modelos que precisavam de atualização, porque o consumidor que atendem mudou, ampliou seu poder aquisitivo e aumentou tanto o nível quanto o mix de consumo".
Com o Extra, diz Tambasco, o GPA volta a se focar no crescimento de supermercados fora do eixo Rio-São Paulo. "Extra Supermercado é uma loja de bairro, que traz força do sortimento, a agressividade de preços e promoção da marca Extra", afirma.
O novo formato dá maior espaço para a área de perecíveis, diminuindo a seção de mercearia, muito forte em CompreBem e Sendas. Outras seções fazem parte do novo formato, como peixaria e uma área para lanches e pequenas refeições, abrindo assim a oferta de serviços em supermercado. A conversão já foi realizada em nove lojas de São Paulo, Fortaleza e Recife. "Nesses pontos, o faturamento cresceu mais de 50% depois da mudança".
Segundo o executivo, dois fatores redirecionaram as mudanças: a falta de tempo do consumidor, o que exige mais lojas próximas, e a sua disposição em comprar cada vez mais em diferentes canais. Nesse sentido, também ganha espaço a bandeira Assaí, de "atacarejo", e o Extra compacto, que traz o mix do hipermercado em área menor.
.
IMPORTACION FRENA LA INFLACION EN EL PRIMER TRIMESTRE EN BRASIL
Importação freia inflação, mas afeta indústria, diz analista.
A crescente oferta de produtos importados ajuda a conter pressões inflacionárias no curto prazo, mas traz a ameaça de um impacto negativo sobre a estrutura industrial em períodos mais longos. Em vez de complementar a produção local, o risco é de que haja uma substituição de bens nacionais por estrangeiros, apontam analistas, preocupados com o dólar barato.
Fernando Sarti, professor da Unicamp, mostra desconforto com o aumento da participação dos importados. Num cenário em que o Brasil parece ter contratado uma demanda forte por vários anos, o risco é de que ela seja atendida por uma parcela cada vez maior de produtos estrangeiros. Sarti cita o caso do setor de autopeças, que sofre com a concorrência importada apesar de as montadoras venderem como nunca. Isso pode adiar investimentos necessários para acompanhar a dinâmica dos produtores de bens finais. O mesmo pode ocorrer em setores como o farmacêutico, diz ele. O temor de Sarti é que haja o "esvaziamento da cadeia produtiva e redução dos encadeamentos produtivos e tecnológicos". Em alguns anos, a fabricação de produtos finais em que o país é competitivo pode também ser atingido pela competição externa.
André Sacconato, da Tendências Consultoria, tem uma visão mais benigna. Para ele, alguns setores de fato sofrem com a oferta maior dos importados, como os de calçados e vestuário, mas do ponto de vista da sociedade em geral há ganhos. Sem isso, a inflação estaria mais alta e os juros teriam que subir mais, diz Sacconato. Outro ponto é que a produção local cresce a taxas robustas, ainda que inferiores à das importações. Douglas Uemura, da LCA Consultores, lembra que a produção doméstica e as exportações avançam bastante, embora fosse desejável um maior desenvolvimento de cadeias com alto potencial de gerar valor agregado, como a eletroeletrônica.
A crescente oferta de produtos importados ajuda a conter pressões inflacionárias no curto prazo, mas traz a ameaça de um impacto negativo sobre a estrutura industrial em períodos mais longos. Em vez de complementar a produção local, o risco é de que haja uma substituição de bens nacionais por estrangeiros, apontam analistas, preocupados com o dólar barato.
Fernando Sarti, professor da Unicamp, mostra desconforto com o aumento da participação dos importados. Num cenário em que o Brasil parece ter contratado uma demanda forte por vários anos, o risco é de que ela seja atendida por uma parcela cada vez maior de produtos estrangeiros. Sarti cita o caso do setor de autopeças, que sofre com a concorrência importada apesar de as montadoras venderem como nunca. Isso pode adiar investimentos necessários para acompanhar a dinâmica dos produtores de bens finais. O mesmo pode ocorrer em setores como o farmacêutico, diz ele. O temor de Sarti é que haja o "esvaziamento da cadeia produtiva e redução dos encadeamentos produtivos e tecnológicos". Em alguns anos, a fabricação de produtos finais em que o país é competitivo pode também ser atingido pela competição externa.
André Sacconato, da Tendências Consultoria, tem uma visão mais benigna. Para ele, alguns setores de fato sofrem com a oferta maior dos importados, como os de calçados e vestuário, mas do ponto de vista da sociedade em geral há ganhos. Sem isso, a inflação estaria mais alta e os juros teriam que subir mais, diz Sacconato. Outro ponto é que a produção local cresce a taxas robustas, ainda que inferiores à das importações. Douglas Uemura, da LCA Consultores, lembra que a produção doméstica e as exportações avançam bastante, embora fosse desejável um maior desenvolvimento de cadeias com alto potencial de gerar valor agregado, como a eletroeletrônica.
LAS IMPORTACIONES DE BRASIL DE PRODUCTOS INDUSTRIALES CRECIO GRACIAS AL DOLAR MAS BARATO
A participação dos importados no consumo interno de bens industriais avançou no primeiro trimestre do ano, em decorrência da combinação do crescimento da demanda interna em ritmo chinês e do câmbio valorizado. De janeiro a março, as importações atingiram 17,7% do total, superando a máxima anterior, de 17,2%, registrada no quarto trimestre de 2008, segundo cálculos da LCA Consultores. Os produtos estrangeiros ganham terreno a despeito da expansão acelerada da produção doméstica porque as importações crescem ainda mais rápido. De janeiro a março, a produção industrial aumentou 18% em relação ao mesmo período de 2009 e o volume de compras externas avançou 38%.
O economista Douglas Uemura, da LCA, diz que já esperava um aumento da fatia dos importados, mas foi surpreendido pelo ritmo da alta ocorrida entre janeiro e março. Para ele, a força da demanda é o principal fator que explica essa mudança, coadjuvada pelo dólar barato. A LCA estima que, no primeiro trimestre, o consumo das famílias cresceu 10,5% em relação ao período janeiro/março de 2009 e o investimento, 23%. Sinal eloquente do aquecimento da demanda é o desempenho das vendas no varejo, que subiram 12,8% no primeiro trimestre.
O economista André Sacconato, da Tendências Consultoria, considera natural o aumento da participação dos importados. "O câmbio está em um nível que favorece as importações e claramente a produção local não dá conta da demanda", diz ele, destacando que o processo modera as pressões inflacionárias.
No segmento de veículos, a fatia dos importados atingiu 18,4% no primeiro trimestre. É um número muito superior aos 14,4% do segundo trimestre de 2009, o ponto mais baixo do período que se seguiu ao agravamento da crise global. Esse aumento da participação dos produtos estrangeiros ocorre apesar de a produção interna de veículos ter crescido 38% no período. A questão é que a alta das importações foi ainda maior: 81%.
Também houve avanço expressivo da fatia dos
O economista Douglas Uemura, da LCA, diz que já esperava um aumento da fatia dos importados, mas foi surpreendido pelo ritmo da alta ocorrida entre janeiro e março. Para ele, a força da demanda é o principal fator que explica essa mudança, coadjuvada pelo dólar barato. A LCA estima que, no primeiro trimestre, o consumo das famílias cresceu 10,5% em relação ao período janeiro/março de 2009 e o investimento, 23%. Sinal eloquente do aquecimento da demanda é o desempenho das vendas no varejo, que subiram 12,8% no primeiro trimestre.
O economista André Sacconato, da Tendências Consultoria, considera natural o aumento da participação dos importados. "O câmbio está em um nível que favorece as importações e claramente a produção local não dá conta da demanda", diz ele, destacando que o processo modera as pressões inflacionárias.
No segmento de veículos, a fatia dos importados atingiu 18,4% no primeiro trimestre. É um número muito superior aos 14,4% do segundo trimestre de 2009, o ponto mais baixo do período que se seguiu ao agravamento da crise global. Esse aumento da participação dos produtos estrangeiros ocorre apesar de a produção interna de veículos ter crescido 38% no período. A questão é que a alta das importações foi ainda maior: 81%.
Também houve avanço expressivo da fatia dos
Subscribe to:
Posts (Atom)